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Acabou e começou…de novo

É sempre estranho, confuso, complexo e paradoxo escrever o findar de mais um ano. Dedilhar 365 dias num texto de milhares de caracteres não parece fazer jus a tudo que se passou, mas é suficiente para preservação da memória. Lembro-me bem de cada texto escrito, de cada sentar na cadeira, de cada sensação ao tocar o teclado ano após ano. E esse ano não poderia ser diferente.

2017 foi o período do novo, do medo, da dúvida. Foi o tempo de estar sem rumo, mas ainda assim continuar à procura de um. Começo de um novo ciclo cheio de incertezas, mas ainda assim um começo.

Começos e términos, começos certos e errados, muito provavelmente mais errados do que certos, porém vida que se seguiu.

Foi ano de praia com a família, descanso, tranquilidade, areia, mar, saudade. Foi ano de tormento com a família também, de laços, entrelaços e deslaços por assim dizer. Ano que me vi presa ao hospital por um dia inteiro, ouvindo gemidos intermináveis, olhando para paredes geladas a espera de cura para o irmão querido. Laços. Ano que vi minha sobrinha desfraldar, meu sobrinho ficar loiro, minha mãe envelhecer, meu pai não descansar nada, nunca, de jeito nenhum. Entrelaços. Ano que vi uma história inteira ter ponto final, do nada, sem prévia, sem explicação, como um raio que vem e parte uma árvore ao meio, partira-se uma vida, quatro vidas. Quase acaba, mas vira página, tem mais história pra ser escrita. Deslaços.

Decisões que de forma alguma fizeram sentido, na ânsia, no susto, na falta de percepção. E quebraram corações. Eu quebrei corações. E não me orgulho, mas também não me arrependo. Arrependo-me talvez de não ter pego a colher certa, a dose certa para tomar decisões. Decisões, decisões. Não me arrependo de prezar por minha felicidade. Mas as decisões foram falha minha.

O desespero, a falta de opção, me levaram a lugares que nunca imaginei estar, mas também me fizeram encontrar quem nunca imaginei achar. Amigos de infância, para reviver momentos, nostalgia conjunta, bonita e calma. Mesmo na correria, no carregar de caixas, no limpar de fornos. A vida me apresentou pessoas e me divertiu com elas, mesmo no ardor da labuta. Três meses suados, mas bem vividos.

Desisti e insisti mais do que imaginei. Sem rumo, despertei para o que desejava fazer e fiz. Tive grandes notícias, obtive pequenas vitórias, conquistei objetivos antes improváveis.

Escrevi, escrevi, escrevi e escrevi. Até fazer de mim escritora. 

Confluência de ideias a todo tempo. Momentos de dor pelo passado, medo pelo futuro, vontade de parar no tempo. Deus, no entanto, não deixou que eu me perdesse em nenhum momento. Mesmo sendo essa bagunça que sou, Ele me consertou um pouquinho a cada dia. E continua. Para todo sempre.

Lembro de poucos detalhes desse ano, não sei bem se porque passou como um vislumbre de tão rápido ou se por que de fato não houve grandiosos altos e baixos, apenas o meio. Equilibrado, estruturado. Infelizmente pouco mudado.

Encontros, reencontros, contação de causo, céu estrelado, saudade, vontade, simplicidade.

Fiz de mim esponja pra absorver ao máximo cada momento vivido esse ano, cada noite no sofá com meus pais, cada lanche solitário ou acompanhado no aconchego do shopping, cada série assistida, cada aprendizado simplório, cada abraço e sorriso das pessoas que importam, cada sessão de cinema, cada reunião na minha segunda casa, cada detalhe eu absorvi no intuito de que permanecessem para sempre em minha memória.

Andei pelas ruas a observar as luzes natalinas, quase tropeçando nas minhas próprias lembranças. E o tempo se difundiu diante de mim, voltando ao presente para me mostrar seu majestoso poder. E mesmo assim, nada me impediu de sonhar acordada em meio as realizações. 

Sigo sonhando.

E hoje, acordei com um frio na barriga, porque não terei mais 21, mas sim 22 ciclos completos. Sou adulta agora e ser adulto não é algo que eu saiba como fazer, é mais um título que não sei bem como carregar. Me olho no espelho e tudo que consigo ver é aquela mesma menina, que não sabe ainda muito bem de nada, mas que sonha em ser feliz em tudo.

Será que é pecado não saber crescer?

Espero que não. Espero que eu aprenda.

 Cada ciclo é um medo diferente, mas tenho entendido com muita paciência e dificuldade que não podemos ficar parados para sempre, temos que seguir. Para onde? De preferência para cima.

Faça seu ano novo feliz.

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2 thoughts on “Acabou e começou…de novo

  1. Essa data ,q já é bem nostálgica, deve ficar mais ainda com seu aniversário e ñ sei se isso é bom pra vc ,mas parece q a reflexão fica melhor e vc tem tirado de letra!

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