Beleza

Mais um 31

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Já faz alguns dias que venho pensando neste post, pois pra mim é ele o mais importante do ano. É o retrato de mim mesma e do mundo a minha volta após 365 mudanças.  Porque cada dia, de cada ano, é uma mudança, independente de sua permissão. E só nos damos conta de como a rotatividade da vida é nem um pouco monótona neste dia específico: 31 de dezembro.

Que dia melancólico e poético para se nascer.

Vai ver é por isso que sou essa criatura avoada, desconexa do meu entorno, contemplativa e humana.

Somos todos humanos.

Mas por 364 dias ignoramos isso, correndo pra alcançar sabe se lá o quê e nos damos conta deste fato singular neste único dia.

É com delicadeza e (por que não) temor que dedilho as teclas deste teclado ao findar de mais um ano, pois este ano foi suplementar nos buracos que se fizeram em minha alma nos que lhe antecederam. E embora muitos tenham do que reclamar, esbravejando aos quatro ventos o quão terrível foi 2016, o quão impiedoso, cruel e perverso ele se fez para com a humanidade eu sou obrigada a dizer que estes foram os 365 dias mais deleitosos que vivi em muito tempo.

O ano de 2016 foi para mim como acordar de um pesadelo e respirar aliviada por perceber que era tudo uma pegadinha do meu inconsciente e, por fim, desperta, dependia de mim viver e esquecer. E foi o que fiz com louvor.

No começo me vi livre das grades da ilusão, como está escrito “a verdade vos libertará” e me libertou, mas como um doente que se recupera e precisa cuidar de sua imunidade para não acabar com uma doença ainda pior, mantive-me numa bolha de proteção. Fiz de mim observadora e não mais a personagem principal. Coloquei-me na voz passiva e sou grata a mim mesma por ter me dado essa chance. Eis o que aprendi com isto: “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.” Pv 16.32

No geral, foi um 2016 de paz. Pude me reconectar com o que realmente importava: o Amor da minha vida, eu mesma, minha família e as responsabilidades que me foram delegadas na obra dAquele que me escolheu. E eu vivi em prol dessas coisas, nessa ordem exata durante todo ano. Eu reneguei as minhas vontades, toda e cada uma delas, e não me arrependo.

No silêncio e na aparente solidão que mais ouvi e mais fui amada.

Deste ano renegado aos olhos de muitos relembro com carinho: do leite com nescau fresquinho que só meu irmão sabe fazer. Da generosidade acolhedora da minha cunhada. Do jeito indomável do meu sobrinho. Da maneira encantadora que minha sobrinha passou a me chamar (Quequé).  Das confidências e risos trocados com minha mãe. Do orgulho e dedicação do meu pai para comigo. Dos mais de 30 livros que me acompanharam quando ninguém seria capaz. Das exaustivas tentativas em acertar o texto incorrigível do meu TCC. De companhias agradáveis e passeios elegantes que infelizmente eu não poderia aceitar. Dos desafios de liderar verdadeiramente. Das pessoas que jeitosamente foram se infiltrando pelas beiradas do meu ser, da minha bolha e cuidaram de mim sem nem saber. Do dinheiro perdido, que me ensinou a não ser apegada a nada e a não culpar Deus por nada. Do dinheiro investido, que me ensinou que depositar a confiança no lugar certo é garantir uma vida plena. Dos filmes que assisti sozinha no cinema e que mostraram como é bom estar bem acompanhada. Dos ensinamentos de algumas pessoas conhecidas e queridas de muitos anos e de outras que chegaram agora, mas bem a tempo de serem amadas. Da tranquilidade e leveza de cada dia.

Esse ano quase não chorei, conto no dedo as vezes que isso aconteceu, mas também não gargalhei a todo tempo e nem era preciso. Não me privei do riso. Comedido, até contundido muita das vezes, mas sincero.

Mergulhei de cabeça só no que devia e me mantive flutuando, no raso, em assuntos que não me eram devidos. E isso me manteve longe de encrenca. Pus minha’alma de molho, estendi no varal pra secar, e agora me sinto refrescada e revigorada pela lavagem.

Sonhei muitos sonhos, me empenhei neles todos, mas os entreguei nas mãos dAquele que sabe mais do que eu poderia imaginar. O suor que escorreu de minhas atitudes não foi suficiente, mas logo será. O ardor de minhas pequenas feridas ao longo do ano nem se comparam ao que já passei e ao que muitos passaram. O esplêndido combate tem se estendido e eu pretendo continuar combatendo sem me ater as coisas supérfluas. Não mais.

Foi o ano da volta. Volta ao primeiro amor, a primeira fé, a pureza. Extirpei o veneno. Fui curada do que me fizeram, do que fiz a mim mesma. Não permiti dor, nem rancor. Só a leveza. Não tenho muito mais o que dizer, 2016 foi diferente para mim porque eu decidi ser.

Este foi o ano que abriu as portas para que eu fosse o que quisesse, apenas escolhi com sabedoria. Não posso ser o que não sou, mas posso ser uma versão melhorada de mim mesma e foi o que fiz. E assim continuarei. Sem olhar para os lados, muito menos para trás, pois é na frente que está o que quero e preciso. E não importa se o caminho é estreito, se parece que não estou andando direito, tudo que preciso fazer é continuar.

Tudo que precisamos fazer é continuar.

2017 é a continuação da sua caminhada. Você decide o que ele vai ser, você decidi a quem ele irá pertencer.

Hoje comemoro o ano que se finda, o ano que virá e os vinte um anos que completo. Pois cada pacote de 365 mudanças que vivenciei me formaram no que sou hoje e tudo que tenho a dizer e sentir é gratidão.

Que essa música faça com que você leitor, reflita sobre o seu ano. E saiba que mesmo se você não compreender de onde saiu e para onde quer ir, Ele sabe. Porque mesmo na escuridão você pode ser luz, mesmo na dor há aprendizado e para tudo há recompensa.

Happy New Year and God bless you! ❤

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4 thoughts on “Mais um 31

  1. A cada ano você tem amadurecido em sua escrita e tenho certeza que há um futuro brilhante pela frente! Parabéns por mais um aniversário, que só venham coisas boas daqui em diante!!!
    Ótimo texto, ótima reflexão e ótima colocação de palavras 🙂

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